São Brás: um santo muito querido no Brasil

Celebramos, neste dia 3 de fevereiro de 2023, a memória de São Brás, um santo muito querido no Brasil. Sua memória litúrgica é um convite para irmos à missa nesse dia, pedindo a Deus que nos livre de todos os males da garganta e de doenças respiratórias. São Brás é tradicionalmente conhecido como o santo que protege a garganta. 

Ao final da missa de São Brás, o celebrante concede a benção da garganta, com as duas velas em forma de “V”. As velas utilizadas para a benção foram abençoadas no dia anterior, que é a Festa da Apresentação do Senhor ou Festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Luz. Na véspera, com alegria e saudades, lembro do amado Povo de Deus e do Presbitério da Diocese de Luz aonde fui o seu terceiro Bispo Diocesano, unindo-me ao meu sucessor, o Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom José Aristeu Vieira(5º. Bispo Diocesano). É muito importante preservarmos a tradição da Santa Igreja e aproveitarmos esses momentos de fé para nos aproximarmos de Cristo. 

Segundo consta na história, São Brás nasceu perto dos anos 300 d.C., na Armênia – na cidade de Sebaste. Era um médico muito reconhecido entre os seus, pois cuidava da saúde do corpo e da mente. Tinha especial compaixão pelos mais pobres e usava sem dom da medicina em prol de todos, sem fazer distinção. Por isso, se tornou o protetor da garganta. 

São Brás, em determinado momento, começou a questionar sua vocação de médico, pois sentia que poderia fazer mais pelos seus irmãos, queria fazer uma entrega completa de sua vida a Deus. Assim, decidiu virar eremita, para viver em constante oração, dentro de uma gruta por longos anos de sua vida. 

Sua fama espalhou-se logo por toda a Capadócia, pois ele nunca deixou de atender quem o procurava, seja com dores físicas ou da alma. Quando o bispo de sua região faleceu, uma multidão o procurou para que fosse o novo pastor daquele rebanho. São Brás não titubeou e voltou à cidade, cumprindo os estudos para se tornar padre. Logo foi ordenado bispo.  

No entanto, o prefeito da Capadócia, um tirano que perseguia o cristianismo e os cristãos, decidiu perseguir São Brás, que vivia em uma casa construída por ele e ali fizera a sede da sua diocese, aos pés da gruta que havia vivido recluso. Era dali que ele cuidava da Igreja de sua região. 

O prefeito da Capadócia, chamado Agrícola, era muito amigo do imperador do Oriente, Lucinius Lacinianus, que era cunhado de Constantino, imperador do ocidente. Um dia, Agrícola decidiu mandar buscar feras, leões e tigres para servirem de espetáculo para o martírio dos cristãos presos. Mas quando os soldados foram buscar os animais, viram que eles convivam pacificamente com São Brás, que já os havia “adotado” quando vivia isolado na gruta.  

Assim que soube dos fatos, o prefeito Agrícola ficou possesso e ordenou a prisão de São Brás. O santo aceitou sem oposição e se entregou. Agrícola queria que ele adorasse aos seus deuses, mas São Brás se recusou. Disse que jamais negaria a fé católica, Deus ou Jesus Cristo. Fez questão de deixar claro que a Igreja de Cristo jamais acabaria, pois era guiada pelo Espírito Santo. O prefeito deu inúmeras oportunidades para São Brás negar a Cristo, mas ele não cedeu. São Brás continuou sendo admirado e muitos o buscavam para tratar doenças e pedir sua oração.  

Até que certo dia, uma mãe completamente desesperada procurou São Brás pois seu filho estava à beira da morte, com um espinho na garganta. São Brás ergueu os olhos para o céu, rezou e clamou a Deus pelo menino. Ele fez o sinal da cruz na garganta do filho da mulher e, milagrosamente, ele ficou curado. Daí vem a tradição de protetor da garganta atribuído a São Brás. Não só no Brasil, mas em muitas partes do mundo, quando alguém engasga, as pessoas recorrem a São Brás. 

São Brás continuou recebendo açoites na prisão e muitas mulheres iam cuidar dele. Quem o ajudava também acabava preso pelos soldados do prefeito. São Brás chegou a ser atirado em um lago, ao se recusar a negar a Cristo, mas surpreendentemente, ele andou sobre as águas. Furioso, o prefeito Agrícola mandou decapitá-lo. São Brás foi morto tendo sua garganta cortada pela espada, no dia 3 de fevereiro de 316. Até 732, seu corpo permaneceu na Armênia e, depois, ao ser levado para Roma, uma tempestade mudou os rumos do barco e o conduziu até Maratea, em Potenz, onde ali foi erguida uma Basílica de São Brás. 

Por isso, durante a missa de hoje, o celebrante faz a oração de São Brás se dirigindo à garganta dos fiéis com duas velas em “V”: “Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. São Brás, rogai por nós”. Amém! 

 

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG) 

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