Domingo na Oitava da Páscoa e da Divina Misericórdia ( 07/04/2024)

A Igreja celebra Domingo na oitava da Páscoa e da Divina Misericórdia, neste domingo (07). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 4,32-35
Salmo: 117(118),2-4.16ab-18.22-24 (R. 1)
2ª Leitura: 1Jo 5,1-6
Jo 20,19-31

Acesse aqui as leituras.

A FÉ DA IGREJA E O RESSUSCITADO

Estamos ainda vivenciando o primeiro dia da Vida Nova de Jesus Ressuscitado (Domingo da Páscoa) e experimentando as alegrias apresentadas por Cristo Jesus, mas também a difícil passagem que os discípulos e apóstolos tiveram que fazer naquele dia. Eles também tiveram que “renascer” para entrar na nova realidade que Jesus tinha inaugurado com a sua ressurreição.

Os relatos da ressurreição de Jesus no Evangelho de São João nos apresentam como, aos poucos, Jesus conseguiu refazer o seu grupo de discípulos e inseri-los na mesma missão que Ele mesmo tinha iniciado. Cristo ressuscitado precisou de muita paciência para recuperar cada pessoa que Ele mesmo tinha escolhido. Segundo São João o primeiro dia da semana iniciou com um “túmulo vazio” que foi visto por Maria de Mágdala (Evangelho do Domingo de Páscoa).

Ao longo daquele primeiro dia da Páscoa de Jesus, outras experiências aconteceram como aquela narrada por Lucas com dois discípulos que deixavam Jerusalém no Evangelho deste segundo Domingo de Páscoa. Este evangelista diz que até mesmo Pedro teve um encontro pessoal com o Ressuscitado, mas que não temos mais nenhuma informação (cf. Lc 24,34).

Somente no final da tarde do domingo da Páscoa (em Emaús), seus olhos se abrem e percebem que se tratava de Jesus. Eles retornam no final daquele dia especial, o primeiro da semana (domingo) e contam tudo aos apóstolos.

Estes relatos sobre o Ressuscitado, costumamos chamar de “aparições ou manifestações”, mas São João e os outros evangelistas narram esses momentos de uma forma diferente: Jesus “se apresenta” (não aparece) em meio a todos. Isto para indicar que, aos poucos, através de pequenos sinais, gestos e palavras é que a comunidade foi descobrindo a presença constante do ressuscitado.

Jesus não se apresenta de uma “forma magistral” ou impactante, mas com certa delicadeza, respeitando a amarga experiência de todos como vimos na jornada que passou com os discípulos de Emaús.

O Evangelho de João que hoje ouvimos conta como foi o final daquele primeiro dia da semana, o domingo. Os discípulos estavam reunidos, talvez para discutir e entender o que estava acontecendo, ou ainda para partilhar as diversas experiências com Jesus Ressuscitado. João nos lembra que não estavam em oração e fervorosos, mas com “muito medo dos judeus”. Na manhã do Domingo da Páscoa, ouvimos que o sepulcro estava aberto e vazio, mas a tarde, os discípulos estavam fechados em um quarto.

São João nos diz que mesmo estando isolados e fechados no medo que prevalecia em seus corações (dos apóstolos), Jesus se apresenta no meio de todos. As portas e as janelas não são mais limites para o Ressuscitado, nem mesmo o medo de todos pelo mundo que os circundava; Jesus se encontra novamente com todos, desta vez, como grupo apostólico.

Antes, as experiências foram pessoais com a finalidade de resgatar o grupo; agora todos unidos, tudo reparte com uma nova realidade e fortalecidos pelo Cristo em meio a sua Igreja.

A primeira palavra dita por Cristo Ressuscitado é “Paz” (insiste duas vezes). Diante do medo e do pavor por todos, Cristo procura semear a paz, aquela que somente Ele pode nos dar. A palavra “paz” não significa “ausência de medos e problemas”; para Jesus a paz que Ele nos dá é a sua própria presença e força: Jesus mesmo é a paz! Pedro na 2a leitura nos alerta das tribulações e desafios para todos aqueles que creem, mas se estamos com Jesus, Ele é a nossa verdadeira alegria e nossa maior força que nenhum problema pode suplantar.

Jesus não retoma o passado e nem esclarece nada em relação a Ele, mas propõe que eles devem continuar a Sua missão. Para o evangelista João, os apóstolos recebem a força do Espírito Santo neste mesmo dia da Páscoa.

É um dom dado a todos como Igreja, pois eles deverão assumir tudo como uma nova realidade no mundo, não mais individualmente, mas como Igreja, corpo do Cristo Ressuscitado.

As experiências pessoais com o Ressuscitado não tinham conseguido eliminar tudo que eles tinham visto na Sexta-feira da Paixão e nem o sentimento de culpa por terem abandonado Jesus. O grupo estava disperso e todos com muito medo. Naquela tarde de domingo de Páscoa faltavam dois no grupo de Jesus: Judas tinha cometido suicídio e Tomé tinha perdido a esperança em relação a Jesus. Talvez, ele tinha acreditado demais em Jesus, mas ao seu modo e conforme os seus critérios. A experiência da cruz tinha sido forte demais para aquele discípulo que sempre é chamado por João de Dídimo que significa “gêmeo” (mas de quem? de nós?).

Foi marcante e sentida a ausência de Tomé no grupo, mas ele não tinha abandonado a Igreja de Cristo. Ele estava procurando respostas do seu modo e seguindo seus critérios. Tomé não é um incrédulo. O seu erro foi procurar uma resposta para tudo do seu modo, com experiências pessoais e isoladas dos demais apóstolos. No diálogo que ouvimos entre Tomé e os apóstolos (Igreja), ele insiste em se firmar no Jesus de antes ou no Mestre que foi crucificado e não dá crédito no testemunho dos amigos apóstolos (“Vimos o Senhor!”). Ele queria experimentar do seu modo e do seu jeito. Foi a primeira frustração do anúncio de Jesus Ressuscitado da Igreja nascente: um do próprio grupo (Tomé), não acreditou nas palavras da comunidade-Igreja.

Tudo que tinha acontecido não tinha sido suficiente para que Tomé deixasse pra traz tudo que tinha acontecido com Jesus até sua cruz. Parece que ele não tinha visto o Cristo crucificado, pois tinha abandonado o Senhor como os outros apóstolos. Para ele, faltava ainda experimentar os últimos momentos do Mestre Jesus. Assim, ele não acredita na experiência nova que o grupo tinha tido, a palavra da Igreja que reencontrou com o Ressuscitado não lhe era suficiente: ele queria o Jesus “antigo”, com as chagas e as feridas.

Para ele era absurdo os relatos da Vida Nova de Jesus que todos juntos tinham experimentado.

Mas, Tomé é alguém que procura respostas para seus ideais pessoais, mas também é capaz de mudar seus métodos e modos de experimentar sua fé. Jesus não lhe tinha satisfeito pessoalmente e num momento privado e esse modo de se revelar, também tinha ficado pra traz. Com a missão dada a todos de continuar a missão de Deus Pai, Jesus fortalece a importância de continuar sentindo sua presença especial, mas agora como Igreja reunida.

Assim, oito dias depois da primeira experiência de Igreja com Cristo ressuscitado, novamente Nosso Senhor Ressuscitado se apresenta em meio a todos. Eles ainda estão fechados no local, mas João não diz mais que estavam com “medo dos judeus”. Confirma a paz ao grupo e se apresenta a Tomé. Jesus o convida: “Põe aqui o dedo e olha as minhas mãos; estenda sua mão e coloque-a ao meu lado”. A ressurreição não fechou os buracos dos pregos e não apagou as feridas, como seria de esperar.

Porque a cruz não é um simples acidente a superar e esquecer, mas é a glória de Jesus, o ponto mais alto da arte divina de amar, que naquelas feridas se oferecem para sempre à contemplação do universo.

Foi precisamente por causa daquelas feridas nas mãos e no lado (expressão da doação extrema de Jesus) que Deus o ressuscitou, e não apesar deles: eles são o alfabeto indelével da sua carta de amor. Jesus não quer forçar Tomé, respeita o seu cansaço e as suas dúvidas, conhece os tempos de cada um, conhece a complexidade de viver (Ermes Ronchi). Não sabemos se Tomé tocou em Jesus, mas, o mais importante são suas palavras de espanto e fé.

Cristo Jesus lhe propõe a fazer a experiência que lhe faltava (com as feridas e as chagas), mas alerta que o fundamental é sentir a presença de Cristo que se está presente e não aquele que ainda trazia em sua memória.

Não é Deus que tem que se ajustar aos caprichos das pessoas, mas cada pessoa, como Igreja reunida, experimentar a presença do Cristo Ressuscitado. Jesus insiste que o caminho para continuar sentindo a Sua presença é a fé que é amadurecida como Igreja reunida.

Felizes são todos aqueles que creem mesmo sem ter que experimentar fisicamente algo, pois o principal de nossa fé não é algo que se toca, mas Deus que está em meio a nós (Pedro na 2a leitura também nos lembra disto). Naquele segundo domingo da Páscoa (oito dias depois), Tomé foi o último a compor o grupo-Igreja constituído por Jesus, mas foi também o primeiro a avançar na nova realidade e missão de Jesus. Suas palavras de fé revelam o novo momento como apóstolo: “Meu Senhor e Deus!” Ele experimentou dentro da comunidade reunida a presença do Cristo Ressuscitado, não mais o Mestre que ele seguiu, mas o Senhor da Vida e o seu Deus.

Na primeira leitura temos o exemplo dos primeiros cristãos que passaram a viver com uma única realidade procurando colocar em prática os ensinamentos de Cristo inclusive no modo de vida comum entre todos. A experiência mais forte e significativa para todos foi a experiência que faziam como Igreja, corpo de Cristo. Nela Cristo continua sempre presente e pronto a dar a força que elimina todo medo, mas principalmente concede a paz a todos. Na Igreja corpo de Cristo, ontem como hoje, todos podem continuamente experimentar Nosso Senhor Ressuscitado: no testemunho de todos, na Palavra proclamada, nos Sacramentos (principalmente da Reconciliação, expressão da Misericórdia de Deus), mas sobretudo e de um modo especial na Eucaristia (expressão do seu Amor por nós).

Autor: Padre Dirlei Abercio da Rosa 

Fonte: Arquidiocese de Pouso Alegre

 

 

 

 

 

Sobre a Festa da Divina Misericórdia

A Festa da Divina Misericórdia foi instituída em toda a Igreja no ano 2000 pelo Papa João Paulo II.  A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou a decisão do Papa por meio de um Decreto. O documento dizia:

“Nos nossos tempos, em muitas partes do mundo os fiéis cristãos desejam louvar a divina misericórdia no culto divino, especialmente na celebração do Mistério Pascal, no qual a amável benevolência de Deus resplandece de maneira especial. Atendendo a esses desejos, o Supremo Pontífice João Paulo II graciosamente determinou que no Missal Romano, após o título Segundo Domingo da Páscoa, seja doravante adicionada a denominação “ou Domingo da Divina Misericórdia” e prescreveu que os textos assinalados para o dia no mesmo Missal e na Liturgia das Horas do Rito Romano devem ser sempre utilizados para a celebração litúrgica desse Domingo”.

João Paulo II foi o papa que decidiu dar uma resposta ao pedido que Jesus manifestou para a Irmã Faustina Kowalska: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia” (Diário de Santa Faustina, 49). Nessa Festa os padres teriam uma missão especial. Jesus explicou:

Nenhuma alma terá justificação enquanto não se dirigir com confiança à Minha misericórdia. E é por isso que o primeiro domingo depois da Páscoa deve ser a Festa da Misericórdia. Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta Minha grande e insondável misericórdia” (Diário, 570).

Antes mesmo de pedir a criação da Festa da Misericórdia, Jesus havia pedido a Faustina a pintura de uma Imagem. Essa pintura deveria retratar Jesus conforme a Santa Faustina O via, com a inscrição: Jesus eu confio em Vós (cf. Diário, 48). E mais uma vez Jesus reforçou seu pedido sobre o Domingo da Misericórdia: “Desejo que, no primeiro domingo depois da Páscoa, a Imagem seja exposta publicamente. Esse domingo é a Festa da Misericórdia” (Diário, 88).

Ao determinar que a partir daquela data em todos os anos o segundo domingo da páscoa seria o Domingo da Misericórdia, João Paulo II refletiu:

“O que nos trarão os anos que estão diante de nós? Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio” (homilia em 30 de abril de 2000).

Com seu decreto, João Paulo II estava permitindo que a luz da misericórdia de Deus alcançasse a todos os cristãos.

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